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quarta-feira, 8 de julho de 2015

A hora de a onça beber água

Capítulo 16

Duas mulheres muito atraentes e um homem muito apanhado. Realmente, um trio que chama muito a atenção, transpiram elegância e glamour, além da beleza. Espera, se bem ouvi direito, a mulher bonitona que acabou de chegar o chamou de "meu amor",  talvez seu marido? E estranhamente o olhar dela parecia meio frio ao dirigir-se à outra mulher, apesar da voz ter soado calma. Vish, será que vai sair briga? Ai ai ai, era o que faltava, não gosto muito de brigas e também este local começou faz pouco tempo a ficar bem frequentado...
Avanço no pescoço dessa vagabunda, arranco todos os cabelos e desse cachorro eu corto fora o que lhe é mais importante? Ou finjo que tropeco e derrubo molho de ketchup na roupa e no cabelo dela enquanto faço um barraco? Ou ainda, mato os dois juntinhos, fatio e depois jogo pros cachorros das redondezas? Ah, que raiva! Cliente? Sei. Essazinha deve estar dando em cima e ele dando corda ainda. Ainda mais, a mão dela que estava sobre seu ombro. E parecem tão íntimos!! Mas ambos vão ver só! Principalmente essa cadela maldita!!!
Hã, oi amor...que coincidência agradável você por aqui. Sente-se, já tomamos alguma que tal fazer um pedido. Vai querer alguma coisa? - sua cabeça numa bandeja - pensou, Melissa. Ah, um misto quente e um suco bem gelado de manga. Humm, boa escolha. Ei, garçonete, por favor, outro pedido para nós! Misto quente e um suco de mangá, mas bem gelado, hein? E para você, uma gorjetinha. Ora, ora, "gorjeta", Alberto. Este estabelecimento não é um restaurante, sabia? Ah, amor, é minha forma de valorizar o serviço deles daqui. E essa moça sempre me é muito simpática. Humm, amor, então, costuma sempre tratar de "negócios" por aqui? Er...sim, sim, gosto deste local, ainda mais destes pôsteres ali. Reparou que o Freddie Mercury está ao lado do Renato Russo? Sim, notei. Ah, dona Sabrina, por que está tão calada? Peço desculpas por ter atrapalhado a reunião de vocês, mas é que precisava distrair a cabeça. Não foi minha intenção atrapalhar, juro, nem sabia que Alberto estava por aqui. Ah não, que isso, dona Melissa, imagina. Senhora, seu pedido. O atendente olhou para Melissa e pensou. Essa moça é tão bonita, deslumbrante. Mas, espera, ela não tinha vindo mais cedo? Ou estou imaginando coisas? Bom, é que ela é tão linda e chama tanto a atenção que tenho impressão que a vejo sempre por aqui. E também, por aqui, passam tantas pessoas diferentes, como eu iria ter certeza disso? Ah, esquece, foco no serviço, Carla. 
Então, como estávamos conversando, dona Sabrina, a senhora tem pensado em adquirir um imóvel? Sendo uma moça solteira e jovem, temos excelentes planos e moderníssimos e arrojados apês. Ah, não sei ao certo, realmente o senhor me mostrou tantas opções que eu fiquei tontinha...talvez, se não for incômodo, a senhora Melissa poderia me ajudar a escolher? Com...todo...prazer...ok, então. 
Humm, o relógio acusa onze horas, preciso voltar pra clínica, e também logo chega a hora do almoço. Senhor Alberto, poderia me mandar por favor mais projetos por email? Vou ver se mais tarde consigo analisar as opções. Ok, sem problemas. Dona Melissa, muito obrigada pela ajuda mas não sei, realmente não consegui me decidir por nada. Desculpe o incômodo. Não há de quê. Ah, a propósito, é possível a senhora ir amanhã às dez na clínica? O doutor Jorge já irá voltar hoje e, como agradecimento pela sua ajuda, encaixarei seu nome na agenda. Ok, estarei lá no horário estipulado. Boa sorte com a escolha do imóvel, dona Sabrina e até amanhã. Obrigado, dona Melissa e até amanhã.
Amor, espero que não tenha ficado enciumada da Sabrina. Conversamos o tempo todo somente sobre a questão de um apê no estilo que ela queria. Que pena somente que ela está bastante indecisa, mas estou confiando sinceramente que ela logo se decida e fechemos negócio. Amor, estou falando contigo, tá me ouvindo? Sim, Alberto, estou te ouvindo. A propósito, vi que você ficou de enviar um email pra ela. Mas, também percebi que ela não te passou o email dela antes de ir embora ou mesmo telefone para contato. Alberto, por acaso, já faz tempo que vocês mantém contato, sem eu saber?

sábado, 13 de junho de 2015

Chateauneuf Du Pape

Capítulo 11

Melissa e Sabrina. Amigas inseparáveis. Lindas, cada uma à sua forma. Mulheres de parar o trânsito. Jovens, só queriam curtir a vida, sem pensar no amanhã...
Mas você simplesmente é fogo, já foi logo pegando o doutor, hein? Ué, mas pra que perder tempo? Nessa vida estamos aqui para curtir o momento, é vapt-vupt. Mas olha que ele não foi dos piores. Até que deu pra curtir. Mas e você, Madre Teresa, vai ficar mesmo só no jejum? Cuidado, senão, logo vai ter teia de aranha... Kkkkk, cala boca, sua vaca, eu tô de boa, por enquanto, meu lance é curtir sem necessariamente sair pegando aleatoriamente. E sou exigente, não pego qualquer um. Ah, então tá. Melhor deixar quieto, senão você me escalpela, haha. Ah, estou morrendo de calor. Vamos daqui pra um clube com piscina? Ih, não vai dar, lembrei que tenho que fazer uma coisa urgente agora, depois a gente se fala. Beijinho, amiga. Beijinho, Teresa. Ops, Melissa. Ah, sua vaca!!
Saindo dali, de fato pressentia que precisava fazer algo, mas não sabia o quê, exatamente. Do nada, uma dor de cabeça...desgrama, de novo. Ah, que eu vim fazer aqui? Vixe, é mesmo, fiquei de almoçar com o Alberto hoje e já tava esquecendo. Bora ir pra casa me arrumar, pois quero estar bem bonitona para acompanhar meu gato. E lá se foi para casa se arrumar.
Saindo de casa, pegou a bolsa e deu uma olhada rápida no espelho. Que mulherão! Enfim, rumou ao restaurante. Era um lugar requintado e fino. O ambiente era agradável e muito requintado. Um senhor restaurante! Além da ótima atmosfera, a música ambiente era de primeira. Nada dessas frescuras modernas, mas sim muitos clássicos da MPB. Chegou ao local e encontrou Alberto que já esperava a algum tempo. Amor, mas que gata! Desse jeito, vou me apaixonar novamente. Mas esse é o intuito, seu tolo, haha. Então, sentiu saudades de mim? Ah e como. Mas, vamos pedir? Estou morrendo de fome. Ah, pode ser, também estou morrendo de fome. Maitre, por favor. Ó, pois não, senhor Alberto, é sempre um prazer atendê-lo. Serviram-se de algumas porções enquanto bebericavam vinho. Pinchard Chateauneuf Du Pape 2011. Realmente, um excelente vinho francês.

De repente, erguendo os olhos, Alberto percebeu um belo casal que acabara de chegar. Olha, amor, esse homem não é aquele ator famoso de teatro, que você comentou outro dia? Sim, é ele mesmo. E claro que está acompanhado e bem acompanhado, diga-se de passagem. Opa, espera aí, estou reconhecendo a moça. Mas, é a secretária que me atendeu na clínica. A secretária do Dr. Jorge? A que você disse se chamar Sabrina?

terça-feira, 2 de junho de 2015

Aqueles olhos...

Capítulo 10

De manhã, Melissa foi atender o telefone e eis que era a secretária do doutor Jorge querendo confirmar se dali  a uma semana, poderia marcar uma nova consulta. Bom, pode ser então. Fica marcado então. Obrigada pela deferência. Não há de quê, minha senhora.
Ao desligar o telefone, ela não pode evitar pensar o quanto aquela secretária era bonita. Parecia uma modelo. E o doutor, então? Um gato. Jeitão másculo, olhar sério e concentrado, parecia ser uma pessoa interessada (e interessante também). Quem sabe até a secretária bonitona não fosse sua amante? Há de tudo nesse mundo mesmo. Mas, ao mesmo tempo, sentiu um arrepio quando pensou nos olhos do doutor. Não sei porque mas aqueles olhos me evocam algo do passado...De fato, são lindos olhos, mas tão tristes, até parece que carrega uma grande tristeza...

Imediatamente, sentiu uma forte dor de cabeça. Levantou-se, e resolveu que iria à rua. Ah, preciso ver aquela vaca da Sabrina. Esse horário, se não estiver na academia, deve estar no shopping. Bora procurá-la. A rua estava apinhada de pessoas, cada uma absorta em seus pensamentos. E os grupos. Jovens a um canto riam ruidosamente, e em suas mãos os benditos smartphones. Com certeza, viram algum vídeo no whatsapp. Em alguns instantes, encontrou a amiga. Ah, Mel, como tem passado? Tá melhor das suas crises? Menina, nem fui ao médico, você sabe que eu não gosto muito. Ah! Já eu, em compensação, estou voltando agora mesmo de uma clínica. Ai, o que você tem, algum problema? Está doente?? Não, não, eu disse que vim do médico, mas não foi bem para me tratar e sim ser bem tratada. Sabe aquele médico gato de que te falei outro dia? Sei, um tal de doutor Jorge, se não me engano. É, esse mesmo. Hmm, vou lá só pra conferir o material, não é? Ele realmente é um pão, como dizem? Ah, mas você acha realmente que eu iria lá só para conferir o produto sem mesmo tirar uma amostra?

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O bilhete...

Capítulo 6

Naquela noite, depois de descarregar a tensão com o maridão, Melissa pegou no sono, e teve um sonho estranho, meio que do passado: viu-se no sonho com seus treze anos de idade, e ela estava no baile do colégio, usando um vestido branco florido e dançando com um garoto muito bonito. Hmm, que gatinho. Enquanto dançavam, o garoto teimava em descer demais a sua mão, mas ela foi firme e por fim, deu-lhe um forte pisão no pé. Num ímpeto, com raiva, o garoto puxou-lhe o vestido, e de repente, viu-se no meio da festa, completamente nua! Às lágrimas, tentou-se esconder para se proteger e esconder sua nudez, mas o garoto a segurou fortemente, e não a deixava escapar. Pedia por socorro, mas ninguém a acudia, os meninos a olhando com desejo, as meninas rindo jocosamente, e até mesmo os professores aparentemente estavam adorando a situação...
Do nada, irrompeu no meio da multidão um garoto forte e atlético, e deu uma voadora, derrubando o par de Melissa. O que caíra, ao levantar-se, tentou ainda tentou esmurrar seu atacante, mas levou um belo golpe de esquerda que o levou instantaneamente à lona. O menino cavalheiro, então, tirou seu casaco e vestiu-a, protegendo-a. Está tudo bem com você? Sim, só me deixa ir embora daqui, quero morrer! Nunca me senti tão humilhada na minha vida inteira...Sob os olhares de todos, conduziu-a um canto seguro, longe dali.
Olhando o rosto do garoto, achou-o familiar, de alguma forma. Hein, desculpa, acabei nem agradecendo pelo que você fez. Falando isso, qual o seu nome?. Ora, só fiz aquilo que é certo. E a propósito, meu nome é Jorge.
À menção do nome, Sabrina acordou subitamente gritando por socorro. Que foi, amor? Mais um pesadelo? Sim, é que tive um pesadelo horrível, e por algum motivo, estou morrendo de medo de alguma coisa, só não sei o que é. Ah, não fique assim, venha cá, se aconchegue em meus braços. A propósito, sei que este não é o momento, mas quando você gritou, disse antes o nome “Jorge”. É alguém que você conhece? Oh, desculpe, não fique assim, devia ter esperado para perguntar quando estivesse mais calma...
Ao ouvir a confusão, Marinho bateu na porta dos pais, perguntando se estava tudo bem com a mãe. Ah, sim, filho, já está tudo bem com a mamãe, sim. O papai estava aqui e já está me confortando. Dormiu bem, meu anjo? Sim, sim, mamãe. Dormi muito bem sim. Ah, eu tava no banheiro, e vi este bilhete aqui perto da sua calça e li escrito o nome Jorge. Quem é esse Jorge, mamãe?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Marinho e Bruno

Capítulo 5

Chegando na casa da mãe com Marinho junto, a avó já foi abraçando e beijando o neto. Puxa, mas faz tempo que vocês não vêm aqui, hein? Ou o maridão não está te dando sossego, hein? Mesmo, depois de tantos anos, esse fogo todo...Caham, mamãe, então, é a vida corrida, a senhora sabe. Mas, me conta aí, como estão as coisas por aqui? Ah, o de sempre, sabe como é, quando é se viúva jovem como eu; sempre há pretendentes, mas meu negócio é só namorar mesmo. Ah, mamãe, você não tem jeito. Ah, Marinho, não quer ir lá fora, brincar com o Bruno? Oba. Daí, por algum tempo, só se ouvia lá fora o garoto e o adorável cão, saltitando serelepes.
Mas, falando sério, mamãe, tem me dado fortes crises de dores de cabeça, e às vezes, percebo que até parece que apago, sei lá, estranho isso. Mas, o que os médicos dizem? Ah, nem sei, fui em uns dois neurologistas, mas ambos disseram a mesma coisa: “tudo normal com a senhora”. Até fico preocupada com que seja um aneurisma ou algo assim. Credo, vira essa boca pra lá, filha, você vai ver, não vai ser nada de mais. Falando nisso, uma vizinha falou de um médico novo na praça, bonitão e bem apanhado. Como era o nome mesmo? Ah, espera, deixa ver o cartão que ela me trouxe. Achei, olha, Dr. Jorge Mendes.
No exato instante que ouviu o nome “Jorge”, Melissa sobressaltou-se, mas logo recobrou-se. Ah, mamãe, deixa pra lá, mas o que importa mesmo é que vim ver a senhora depois de um tempão, não é? E você reclama que não apareço aqui, mas também não vai pra lá...Ah, filha, depois que seu pai se foi, por um tempão não tinha ânimo pra nada, somente pensava em ficar em casa, cuidando das minhas coisas, do Bruno...enfim, a questão é que também ando ocupada por aqui, embora não aparente. Sei, sei, mamãe, o que é que a senhora anda aprontando, hein? Pode me contar, ande! Tem a ver com um namorado novo? Oxe, filha enxerida, não é nada disso, como sou costureira, esses dias andei juntando trapos e fiapos e fiz umas roupas para ajudar a vender aqui no bairro. Por esses tempos, está tendo uma feira beneficente aqui. Se quiser, podemos ir lá, para você conhecer...Ah, mãe, fica pra outra hora, eu já devo voltar, mas prometo que neste domingo volto com filho e marido a tiracolo. Tá bom, então, mas se prometeu, terá que cumprir, hein? Tenho saudades também do meu genro querido. Olha que fico com ciúmes, mamãe! Pára, filha, que isso, ha ha ha.
Vem filho, dar um beijo na sua avó que já vamos. Mamãe, vovó, o Bruno não pode ir passear lá em casa? Ah, não, Marinho, pois senão a vovó vai ficar sozinha. Assim que voltar aqui, você brinca mais com seu parceiro de folguedos, está bem? Oba! Agora, venha aqui e dê cá um beijão na vó. Ah, minha coisa querida! 
Tchau, filha, se cuida, e você também, Marinho! Tchau, mãe, se cuida, e daqui a poucos dias, voltamos, o trio. Rum! Mas, é pra voltar, mesmo. Beijo, filha, amo vocês.
Enquanto o carro sumia no horizonte, a senhora pensava: será que Melissa ainda pensa na Sabrina?...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Hummm

Capítulo 4

Sabrina, sua melhor amiga, mesma idade, temperamentos parecidos. Solteiríssima, nunca parava com namorados. O lance era só pegar e curtir mesmo. Até namorou um tempinho, mas durou o quê, três semanas? Nem sabia direito. Mas, enfim, era uma garota linda, alto astral, e sempre sorridente. E um corpão moldado por horas em academia. Top das tops mesmo. Até proposta de casamento ela já recebera, mas nenhum carinha lhe chamou a atenção, mesmo que sua conta bancária ou carro fossem agradáveis. Enfim.
Na academia, procurou, procurou e nem sinal de Sabrina. Onde será que aquela vaca estaria a essas horas? Saindo de lá, foi a um lanchonete ali perto e avistou um gatinho dando sopa. Hummm.
Pediu um suco e um sanduba natural, e em instantes o carinha veio a sua mesa. Olá, posso me sentar por aqui? Estou esperando minha amiga, mas não vejo problemas em que você se sente.
Conversaram bastante e ela gostou do papo mas depois de um tempo ela se entediou. O cara até é gatinho, mas é meio chato, só fala dele mesmo. Que tédiooooo".
"Ao final de tudo sabia nome, profissão, hobbies, absolutamente tudo do rapaz. Mas sobre si, nadica, não iria se dar a este trabalho, ainda mais que agora o interesse inicial havia sumido. Telefone então, nem pensar.
Saindo dali, passou por perto de uma construção vazia e por um momento lhe pareceu familiar... enfim, deu de ombros e foi pro shopping gastar e também ver se achava a perua da Sabrina.

Quando saiu de lá, uma forte dor de cabeça, daquelas... Ué, o que eu vim fazer no shopping?? Vixe, ando tão avoada que nem reparei que vim gastar...putz, já tá na hora de ir pra escola buscar meu pestinha. E depois, acho que vou pra casa da mamãe, bateu aquela saudade..."

Diário...

Capítulo  3


Marinho saíra para a escola e Alberto pro trabalho, enquanto Melissa havia voltado para a cama. Deitada languida e preguiçosamente, pegou um espelho na penteadeira ao lado e admirou seus belos olhos cor de mel. Levantando-se, procurou pelo espelho em tamanho natural e pôs-se a admirar seu belo corpo. Nem parece que tenho 31 anos, tenho o corpo em forma, ainda mais belo que quando eu tinha meus 18 anos...Não é à toa que sempre sou admirada nas ruas e também, ah como sou cantada. Se o Alberto soubesse...
De repente observou que seu diário encontrava-se aberto ali perto e quando foi pegar, observou que no dia anterior havia menção a festas e uma tal de Sabrina...Mas, quem é Sabrina? Será que Alberto pegou meu diário e resolveu brincar comigo, inventando essa história? Mas, espere, se for assim, mas por que ele escolheria o nome Sabrina? Já sei, deve ser aquela nova estagiária lá da empresa (e ela é tão jovem, grrrr). Com certeza a vagabunda deve estar dando em cima dele, ou até mesmo já saído juntos, e de alguma forma, ele quis homenageá-la. Ah, filho da puta, quando ele chegar em casa, vou me entender direitinho com ele.

De repente, sentiu uma forte dor de cabeça e abaixou-se gemendo baixinho. Ah, essa dor já faz um tempo que está me incomodando, droga. Já recuperada, Melissa percebeu que estava novamente naquela casa estranha, mas deu de ombros. Ao olhar em seu relógio de pulso, levantou-se subitamente e saiu à procura de Sabrina, que àquela hora deveria estar na academia...

E agora?

Capítulo  2

Tentando digerir a situação, olhou para a criança e, instantaneamente notou que os traços lhe eram familiares, e enquanto isso sua mente divagava. Ontem mesmo, confessara à melhor amiga que ainda era apaixonada pelo ex-namorado, mas era orgulhosa demais para tentar uma reconciliação. Contara à mãe os planos para quando terminasse a faculdade, que seria conseguir uma vaga no jornal local, mas nem pensava em casar e ter filhos; fizera isso, fizera aquilo. De repente, novamente a voz da criança irrompeu e interrompeu seus pensamentos. Assim, como também tinha fome, pegou o pequeno pela mão e o conduziu à cozinha. Olhando-o de soslaio, percebeu que era um garoto forte e bonito e pensou que os pais deles deveriam estar muito orgulhosos dele. Fora que parecia também muito esperto.
Enquanto lanchavam em silêncio, de repente, braços fortes a enlaçaram, e por alguns instantes, sentiu-se confortada (e estranhamente, uma sensação familiar), porém, imediatamente, desvencilhou-se do abraço e voltou-se assustada, e eis que era o homem que estava na cama. Ora, porque essa intimidade toda comigo? Amor, oxe, sou eu, esqueceu de mim, é? Ah, bom dia, filhão. Chomp, chomp, bom dia, chomp chomp, pai. Acho que mamãe acordou meio estranha. Melissa pensou: o que está acontecendo? ainda ontem, eu só pensava nas provas, na faculdade, e agora, tenho marido, filho, e estou mais velha? Ai, isso tudo deve ser um pesadelo daqueles, não devia ter bebido todas ontem.
Amor, vem cá. Não me chama de meu amor. Filho, não quer ir lá em cima, brincar com seu tablet? Vou tentar animar a mamãe. Iuuupi, fuuuui. Ok, afinal, o que está havendo, Melissa? Tá com algum problema? Ontem à noite, foi tão intenso, saímos para nos divertir, dançamos, não se lembra disso? Não lembro de nada, só lembro de ter saído com a Sah para nos divertirmos em uma balada e só. Ai, ai, minha cabeça, não estou sabendo de mais nada, acho que vou desmaiar...

Amor, amor, tudo bem? O que aconteceu? Ahn, Alberto, meu amor, sei lá, o que aconteceu? De repente, tudo girou e eu caí. Onde está o Marinho? Já lanchou, sem mim?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Melissa...Melissa?

Capítulo 1


Aquela noite prometia. Depois de uma semana intensa de provas na faculdade, Melissa finalmente tinha tempo para respirar, e claro, para se divertir. Portanto, aceitou o convite de sua melhor amiga, Sabrina e foram para a balada. Lá bebeu todas, divertiu-se, ficou um carinha maravilhoso, noite perfeita. Mas, como tudo o que é bom acaba, voltou para sua casa exausta.
Teve um pesadelo estranho: concluída a faculdade de jornalismo, ela estava casada com Jorge, seu amigo de infância, só que não era feliz no casamento; ao contrário, Jorge era violento e batia nela. Em mais uma crise de ciúmes, ele ergueu a mão para dar-lhe um tapa e quando ela sentiu o golpe, acordou subitamente.
Assustada, foi ao banheiro, e na volta olhou-se no espelho do quarto. Porém, para sua surpresa não se reconheceu de imediato. Seus cabelos estavam em outro estilo, um pouco mais curtos, repicados, com outra coloração. Os olhos, cansados e abatidos, e ao redor deles algumas poucas linhas de expressão. Como estava nua, olhou para baixo na direção dos seios e percebeu que estavam um pouco diferentes também, estavam siliconados. Estranhamente, parecia mais velha...mas, o susto maior veio logo em sequência. Na cama, jazia deitado languidamente um homem, o qual ela nunca tinha visto na vida.
Já vestida, mas atordoada, desceu em direção à cozinha, e conforme saiu do quarto, começou a perceber que os móveis, decoração, tudo estava um pouco diferente. Ah, é o sono, pensou, e foi à procura da mãe, na expectativa de que esta lhe servisse seus sucrilhos, porém em vão, pois na cozinha não havia ninguém. Na certa, ela já havia saído, embora isso fosse incomum. Deu de ombros e resolveu procurou os sucrilhos que queria, mas mais uma vez percebeu que aquela também não era sua cozinha. Meu Deus, estou ficando louca, aliás, será que não vim parar em outra casa? Lá em cima, um maravilhoso homem, só que nu, e aqui não parece ser minha casa. Será que bebi tanto que nem sei onde vim parar? Eu, hein?
Subindo de volta ao quarto para pegar suas coisas, pois provavelmente deveria ter deixado suas coisas lá (imaginava que havia ficado bêbada e dormido com o carinha, e assim viera parar em sua casa, embora esse não fosse hábito costumeiro, mas enfim). Procurou por sua bolsa, e a encontrou sob a penteadeira daquele quarto. Apanhando-a, preparou-se para sair quando, de repente, irrompeu pela porta do quarto um garoto de uns cinco anos, dizendo: Mãe, estou com fome.